Confira a entrevista com Thiago Jefferson dos Santos Galdino, autor do livro Suspeitas de um Mistérios. Conheça o processo de criação desse suspense publicado por esse jovem escritor.

1-Parte da história de Suspeitas de um Mistério se passa em uma fazenda no Brasil, mas depois existem passagens nos EUA. Como foi trabalhar com esses dois ambientes de culturas diferentes?

 Foi muito divertido para mim, pois acabei conhecendo algumas questões sociais, culturais e geográficas dos Estados Unidos sem realmente ter visitado o país, apenas através de pesquisas e estudos. A primeira estância da história se passa em uma fazenda com produção de bananas do tipo prata comum, e esse detalhe já sugere que a localização se dá na região nordeste, que possui a maior produtividade do Brasil. Essa parte foi a mais fácil de escrever, pois conheço pessoalmente várias fazendas com a mesma finalidade, e pude acrescentar maior riqueza de detalhes ao descrevê-las no livro.

O fato de uma personagem principal ter sofrido um acidente que necessitava de uma cirurgia na gengiva, que só poderia ser feita em Boston (EUA) pela falta de médicos especializados no Brasil e, a não exportação de remédio apropriado foi peça fundamental para o desfecho da trama. Pesquisei então: os nomes dos principais aeroportos internacionais; as classes sociais abrangentes; a arquitetura dos bairros americanos onde parte da história se passaria; questões comportamentais e políticas, etc.

2-Você usa seu blog para divulgar seu livro, por meio de resenhas e entrevistas. Como é o retorno o público? Há críticas construtivas que podem ajudar você a melhorar aspectos de sua escrita em obras próximas?

 Devo boa parte da repercussão que o meu livro tem hoje ao Blog. Desde sempre eu acreditei que para conseguir chamar a atenção de um público eu deveria fazer com que este tomasse conhecimento do meu livro e nada melhor do que mostrar para as pessoas matérias a respeito do meu trabalho. Certamente tem funcionado, ganhei alguns leitores e simpatizantes, que também divulgam, comentam, opinam e ainda me fazem perguntas pessoais que eles têm curiosidade de saber. Acho incrível esse retorno e essa troca de informações e idéias. De certo modo é gratificante, e tenho absoluta certeza de que sem essa legião eu não seria nada.

Todo escritor já recebeu críticas, sejam elas positivas ou negativas; faz parte do ofício. Comigo não seria diferente e , freqüentemente , leitores e amigos dão alguma opinião a respeito do meu trabalho,  elas são sempre bem vindas para o processo de evolução. No entanto, um amigo já dizia “Nem toda crítica é um ótimo conselho. Que pese sempre o bom senso!”.

3- Qual processo (criação, edição, diagramação) na produção de seu livro demorou mais tempo?

 Com certeza este primeiro passo foi o mais demorado, pois tive um longo trabalho de criação de personagens, de cenários, de diálogos e enredo, que tiveram de ser escritos visando o público-alvo, que é o leitor Infanto-Juvenil. Acredito que eu tenha levado um ano e meio para escrevê-lo, sem contar as pausas que tive que dar a favor dos estudos escolares vez ou outra.

Os demais processos (Edição, Diagramação e Capa) foram feitos pela Editora em cerca de três meses apenas, os quais receberam a minha aprovação antes do envio à gráfica para impressão.

4-Como foi a busca por editoras? Você publicou pela Dimensões Ficção que é um selo da Editora Multifoco, há alguma diferença em ter o livro publicado por um Selo?

 Após concluir, revisar e registrar o livro no Escritório de Direitos Autorais, criei uma tabela com uma lista de várias editoras que publicam livros do mesmo gênero e segmento que o meu se encaixava (suspense). Feito isso, separei-as por porte (pequenas, médias e grandes) e comecei a seleção, para não correr o risco de estar perdendo tempo e dinheiro (gastos com impressão e postagem) enviando o meu texto para editoras interessadas em outros conteúdos. Tive a felicidade de conseguir um contrato de publicação logo na primeira tentativa, o que me deixou entusiasmado a me dedicar à literatura.

Acredito que só há diferença mesmo para as editoras, que encontraram uma maneira de publicar livros mais baratos de autores inéditos e/ou desconhecidos, com investimento de obras de qualidade separadas por assuntos. Os selos atendem a uma lógica apenas interna, pelo menos essa é a minha opinião.

5- Como você avalia a importância de concursos e projetos como “Um poema em cada árvore” que você participou em Governador Valadares (MG) para o incentivo da escrita e da leitura?

Em um país que valoriza muito pouco a cultura e menos ainda a Literatura, projetos de incentivo à escrita e leitura são essenciais e de prioridade máxima. Infelizmente os nossos representantes estão mais ocupados com a busca de lucros do que com educação de qualidade; sabemos que ativistas culturais têm feito o trabalho que deveria ser do governo, mas sem ajuda fica difícil atingir os objetivos.

Costumo participar desse tipo de projeto para construir alternativas que proporcione acesso direto da população, no geral, à produção literária, fazendo com que ela se interesse pela arte, escrita e leitura. Devemos pensar na necessidade de promoção das ações culturais como forma de vencer as dificuldades impostas.

 

Escrevendo a Receita

Posted: 23rd March 2012 by May in 145 Dicas

Por Richard Harland

1. Preparação

(viii) Escrevendo a fórmula

Se tenho alguns projetos planejados – e geralmente tenho mesmo – escolho aquele que tem a melhor perspectiva de mercado no momento. Mas isso é muito diferente de fazer um livro por causa da demanda do mercado.

É verdade, mercado para certos tipos de livro surgem e se acabam o tempo todo. Em um minuto, editoras estão procurando por sagas familiares do cafundó, no seguinte, querem temas sobrenaturais para adolescentes. Editoras australianas são particularmente cientes do que está bombando do outro lado do oceano.

Mas aqui está a pegadinha.

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Entrevista com J.R. Moona

Posted: 10th March 2012 by Lydia Rodrigues in Entrevistas

 J.R .Moona é como essa jovem autora que diagramou e ilustrou seu próprio livro se identifica. Conheça Jordana Machado, autora da tetralogia Hades, da coleção Blackspoud. Ela nos conta como foi publicar sem a ajuda de uma editora e se dedicar a esse projeto literário.

 1- Muito se fala das editoras independentes como uma alternativa para escritores iniciantes, mas você publicou sem a ajuda de uma editora. Quais suas principais críticas em relação a esse modo de publicação? Há também benefícios perdidos quando se opta por outras formas de publicação, como no seu caso em que conseguiu um patrocinador para seu livro?

Escrever é uma tarefa difícil, tanto quanto qualquer outra. Temos que dispor de muito tempo, dinheiro e suor. Esperar por uma editora, quando se é um autor iniciante, é algo meio frustrante. Dificilmente você vai conseguir uma editora que banque o seu trabalho por completo, então é de se esperar que se dividirá custos com uma editora. Pensando nisso, resolvi que gastaria tudo por conta minha. Embora as editoras possuam mais experiência e trabalhem com o mais convencional, eu não achei justo que meu trabalho fosse cobrado. Pense bem, editoras só existem porque escritores publicam através delas. Nós somos o seu produto e o que mantém o mercado quente. Logo, não há porque elas tentarem lucrar conosco, pois nós somos a sua matéria-prima e não o seu mercado.

Pensando nisso, desenvolvi a ideia de um livro mais barato. Tentei juntar possíveis compradores do livro para que eu fizesse a tiragem e o custo dela não me faltasse. No entanto, demorou muito para que eu conseguisse juntar um número favorável (na realidade, não cheguei, consegui um pouco mais de 45 pessoas interessadas).

Por isso pulei para o patrocínio. Estudando sobre marketing, descobri que precisamos fazer ideias boas para vender nossas ideias (é, isso mesmo que você leu). Como se não bastasse ter pensando em algo muito bom, você precisa pensar em algo melhor ainda para vendê-lo. Resolvi, então, devolver o dinheiro que o patrocinador resolvesse investir em mim. Achei que isso ia soar bem, pois eu não era só mais um escritor pedindo dinheiro. Dessa forma, acho que fui bem vista, até porque acabei conseguindo o patrocínio. Se alguém quiser dicas de como conseguir um patrocínio, pense diferente. Faça diferente e vá além do que você espera. É normal tomar portas na cara, mas se o seu trabalho for bom mesmo, alguém vai ver. Nem que seja o centésimo de uma lista de cem.

 

2- Em seu perfil no twitter você se descreve como escritora e afirma: “acho que isso é suficiente para me definir”. Atualmente você desenvolve outro tipo de trabalho?É possível se sustentar financeiramente apenas com a venda de livros?

 Ah, aí está uma realidade que todo o escritor percebe. Não dá para viver só com o dinheiro do livro aqui no Brasil. Talvez o mercado seja outro lá fora, levando em conta que o apoio por parte das editoras é maior e os livros não são tão caros, e então lá seja possível viver só de escrita. Mas aqui no Brasil a realidade é outra. Você, como escritor, não vai ser diferente aqui no país, mas não significa que não possa tentar saídas não convencionais para se sustentar com o dinheiro dos livros. Isso pode levá-lo ao sucesso. O que eu indico é que escritores tenham outro tipo de trabalho. Hoje eu administro a parte comercial de uma empresa que desenvolve sistemas e ao mesmo tempo “toco” o livro para frente. O que paga minhas contas hoje é o trabalho e será assim por um bom tempo. Pobre realidade para a cultura brasileira, pois isso envolve outros tópicos como arte, música, etc.
3- Sobre você ilustrar seu livro, no processo criativo, geralmente a escrita influencia o desenho ou ao contrário?

Ás vezes eu escrevo e depois desenho, para poder visualizar melhor o que eu criei. Já aconteceu de eu não conseguir “descrever” uma criatura em minha mente, por isso parti para o desenho. A escrita permite que a gente voe longe, mas não nos dá uma figura firme dos personagens. Ás vezes é melhor desenhar primeiro para que eu possa atentar aos detalhes na hora de descrever. Eu sei que muita gente não gosta de olhar ilustrações em livros, pois prefere imaginar, mas eu sempre gostei muito de lidar com lápis e muitas cores. De qualquer forma, as ilustrações sempre foram segunda opção. O livro foi mais imaginado do que desenhado.

 

4- Você também cuidou da diagramação e da divulgação, como foi se responsabilizar por todo esse processo?

Essa é uma questão que me deu MUITA dor de cabeça. Corrigir um livro é uma responsabilidade ENORME. Diagramar um livro então, nem se fala. Como o meu livro é muito grande eu tive que encurtar as margens, diminuir a letra e o espaçamento entre frases, o que tornou a diagramação dele um pouco precária. Se eu não tivesse feito isso, o livro teria passado na verba patrocinada. A correção do português foi muito bem feita por uma pessoa que eu admiro muito, mas como eu não sou experiente não fui capaz de fazer o trabalho de diagramar corretamente. Ponto positivo para editoras… Se você for fazer um trabalho independente, lembre-se de nunca economizar em correções e muito menos em diagramações. Isso é uma coisa importantíssima para obter sucesso. Fiquei um pouco chateada com o resultado final da diagramação, já que me passou muitos erros.

Mas eu não desanimo por muito tempo… Eu cheguei até aqui. Tive coragem, ao contrário de muita gente que joga o trabalho na gaveta. Gosto de lembrar que enfrentei essas barreiras. Valeu a pena.

 

5- No capítulo de Hades I disponível para download no seu blog existem personagens característicos de outras culturas, como o irlandês leprechaun. Como é trabalhar com esse tipo de referência na literatura brasileira?Você também inclui personagens próprios da nossa cultura em suas histórias?

Bem, se você comparar a fundo o leprechaun do meu livro com um leprechaun de verdade, verá que não existem muitas coincidências. Quando eu comecei a escrever a história, meu maior desejo foi tentar colocar a fantasia em uma rotina normal. No final das contas, o livro acabou bem fantástico, mas eu gosto dessa associação. Querer tentar tornar possível a existência de uma criatura com uma explicação lógica. Espero que eu tenha chegado perto disso. Para ser sincera, eu já tentei incluir personagens da literatura brasileira na história, mas o gênero e o tipo de narração não combinam em nada com a história. Tentei colocar o Boi Tatá na história (porque é um personagem fantástico bem interessante e só tem de bizarro o nome), mas acabou que não ficou bom. Embora a história já esteja concluída, ainda é possível acrescentar e alterar coisas. Quem sabe eu não mude de ideia!

 

6-No twitter da coleção @blackspoud você comenta sobre sua facilidade de escrever (“Eu escrevo brincando um livro de 120 páginas em duas/três semanas, tranquilamente”). Qual dica você daria para os iniciantes desenvolverem uma escrita fluente? 

Ler muito e gostar muito de escrever. E, é claro, se dedicar a isso. Eu levo um dia para escrever 10 páginas A4, o que equivale a, aproximadamente, 20 páginas de livro, dependendo da diagramação. No entanto, significa que eu gasto das 9 da manhã, até as 22h de trabalho. Ou seja, MUITA dedicação, esforço e vontade de escrever um livro tão rápido. Como eu gosto de escrever histórias longas, isso acaba não significando nada. Eu acho que cada um tem o seu modo de escrever que nasce junto com a pessoa, portanto é difícil para uma pessoa que escreve mais devagar, acabar concluindo essa façanha. Mas eu indico muita leitura (para evitar o vício do vocabulário, que nem eu escapei).

 

7- Um dos cenários de Hades I é a cidade de Porto Alegre, sua cidade natal. Essa escolha do lugar atrapalha de alguma forma a identificação de pessoas de outras regiões com a narrativa?

Acredito que não. Eu não descrevo muitos cenários em Porto Alegre, apenas acrescento algumas ambientações, como clima, aspectos de luminosidade do ambiente e algumas descrições. Eu acho que uma pessoa imagina uma cidade de outra região de uma forma, e essa forma dificilmente vai ser moldada por um livro. Ás vezes uma descrição fiel às características dessa região traga uma imagem mais ampla, mas a essência do livro é a imaginação. As pessoas gostam de viajar e retirar isso delas, com excessos de descrições aos mínimos detalhes, torna a história menos emocionante.

 

8- Na entrevista dada ao jornal Zero Hora (ed. 26/08/11) é comentado sobre sua opção de se dedicar à carreira de escritora na época em que a maioria dos jovens geralmente presta vestibular. Como foi tomar essa decisão?

Difícil, muito difícil…até porque, depois que eu publiquei o livro, tive que acabar começando a trabalhar e a estudar para mantê-lo. Me senti atrasada, sinceramente. Enquanto todos pareciam ir para  frente ,profissionalmente, eu fiquei escrevendo livros e construindo histórias longas. Não foi ruim, pelo contrário, tenho fé e continuo lutando para que meus livros sejam conhecidos. Agora que eu já os escrevi, preciso continuar arranjando condições de mantê-lo nas bancas. Afinal, ser escritora no Brasil não é fácil. Você precisa pensar na segunda opção, pois você não vive,  não se alimenta e não paga contas só com livros, até, pelo menos, o momento em que seu livro embarque em uma onda na qual as pessoas comecem a lê-lo e procurá-lo sem parar. Valeu a pena e muito, mas foi difícil. Você precisa acreditar no que faz, ou tudo vai ter sido em vão e a vida vai derrubá-lo no primeiro tapa.

 

9- Hades I é um dos 4 livros da coleção Blackspoud. Como está o andamento dos outros volumes? Você diz em seu blog que possui 5 livros prontos.Os outros volumes já estão fechados; há possibilidade do feedback dos leitores alterar algum aspecto da história?

Dessa coleção o volume II e III já estão prontos e o volume IV está pela metade. Bom, possibilidade sempre há, mas quanto a história, até então, nunca houve essa necessidade. Há aspectos sim, que precisam ser mudados, em relação ao amadurecimento da narrativa e ao português. Como fiz por conta própria, não tive uma editora para me apoiar e mostrar alguns desfalques de narrativa, nada que afetasse a história em si, mas que acabou trazendo um desconforto para mim. Gostaria de ter feito melhor por esse livro, por isso vou pensar duas, três, quatro vezes na hora de pensar uma solução para o segundo… Aconselho àqueles que forem desbravar os caminhos da escrita independente que invistam bastante em correções e leituras críticas.

Planejar ou não planejar

Posted: 7th March 2012 by May in 145 Dicas

Por Richard Harland

1. Preparação

(vii) Planejar ou não planejar

 

Alguns autores são planejadores, outros se deixam levar pela maré. Quanto mais converso com outros autores profissionais, mais chego à conclusão de que não há um jeito melhor do que o outro.

Conheço autores que se jogam de cabeça na história enquanto outros nunca começam antes de ter um esboço detalhado de cada capítulo; alguns escrevem um primeiro rascunho rapidamente e então revisam, já outros pensam no clímax e cuidadosamente trabalham de trás para frente. É incrível como métodos tão diferentes podem gerar incríveis resultados. O que importa é o método não deixar marca no livro terminado. A técnica surge com a experiência…

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Como escrever com clareza

Posted: 8th January 2012 by Alex in Dicas
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Mais uma grade dica de Evan Marshall sobre a importância de se escrever com clareza. O artigo original pode ser conferido no site Novel Write Fast. Não deixem de conferir outros artigos por lá.

Quando você escrever o seu romance, lembre-se sempre que ele é para seus leitores. Isso parece óbvio, mas muitos romancistas não são atenciosos com seus leitores.  Read the rest of this entry »

Como escrever diálogos: lembre-se do S-A-D!

Posted: 1st January 2012 by Alex in Dicas
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A dica de hoje vem do site Write Novel Fast, onde o escritor Evan Marshall escreve sobre  a formatação de  um diálogo. Confiram!

Às vezes, ao escrever o diálogo você descobrirá que um gesto ou gestos só podem ser colocados em um lugar. No diálogo de Robert abaixo, por exemplo, a frase contendo sua linguagem corporal deve ir onde ela terá impacto dramático:

“Eu não poderia deixar Eleanor. Não depois de tudo que ela fez por mim – a escola de medicina, cuidar de nossos filhos.” Robert olhou para seu cigarro, estudou-o por um momento, depois deu à Arlene um olhar franco. “Eu te amo mais do que qualquer um no mundo, mas não posso me casar com você.”

Outras vezes, quando um escritor não tem tanta certeza, a regra SAD vem a calhar. A sigla SAD refere-se a ordem correta para apresentar os três elementos do diálogo na ficção:

Sentimento/pensamento

Ação

Diálogo

Esta é a ordem lógica para esses três elementos. Um sentimento ou pensamento vem em primeiro lugar, e nós quase sempre fazemos algum tipo de gesto antes de falar.

 Sentimento  Ação  Diálogo
 Um violento frio passou por ele.  Sua mão tremia.  ”Mas Agnes morreu há um ano.”

Você não precisa sempre de todos os três componentes. Às vezes um deles não é necessário, por exemplo, os sentimentos de um personagem podem ser perfeitamente demonstrados por sua ação. Em outras ocasiões não há ação para mostrar.

Seja qual for o motivo, se você deixar de fora um componente, apresente os demais componentes na ordem correta.

Ação Diálogo
Sua mão tremia. “Mas Agnes morreu há um ano.”

Ou…

Sentimento Diálogo
Um violento frio passou por ele. “Mas Agnes morreu há um ano.”

Siga o SAD e você não errará em seu diálogo de ficção.

Notas sobre a obra “Como funciona a ficção”-James Wood

Posted: 14th November 2011 by Lydia Rodrigues in Dicas

Certa vez postei em nosso twitter (@escrivonauta) uma citação da orelha desse livro que dizia “A ficção não nos pede para acreditar nas coisas (num sentido filosófico) e sim, para imaginá-las (num sentido artístico). Esse livro trata da ficção de um modo amplo e não só do gênero fantástico, mas achei interessante que alguns pontos podem ser úteis para quem escreve, então compartilharei aqui.

Narração

Acho interessante a frase que inicia o livro “Só existe uma receita: ter o maior cuidado na hora de cozinhar”-Henry James. Ela mostra que a arte da escrita não é fácil e não existe fórmula mágica. No entanto, é sempre válido estudar teorias e dicas; o próprio livro traz essa proposta ao falar sobre diálogos, personagens e narração

No capítulo “Narrando” Wood irá falar dos tipos de narrador. O narrador onisciente é aquele que conhece a história e seus personagens, sendo o padrão, em terceira pessoa. Ele comenta uma frase de um amigo (WG .Sebald) que criticava essa onisciência total:  “Para mim, a literatura que não admite a incerteza do narrador é uma forma de impostura muito, muito difícil de tolerar”. Acho meio inaceitável qualquer forma de escrita em que o narrador se estabelece como operário, diretor, juiz e testamenteiro. Não aguento ler esse tipo de livro”.

Depois ele completa, baseando-se em Sebald, que a narração em primeira pessoa acaba sendo mais “ confiável” e que a onisciência da terceira pessoa se aproxima mais de uma  trapaça que tende para a parcialidade.

Personagem

O livro ressalta a dificuldade da criação de um personagem na ficção , pois a maioria dos romances fazem descrições que parecem fotografias, uma descrição estática que é mais fácil de se fazer;   “É difícil dar movimento à cena”.

Como conseguir movimento?

É preciso colocar o personagem para funcionar, “engatar o personagem”. É o que é preciso ser dito do personagem para que ele esteja pronto para entrar em ação. Busca-se “dar vida a um retrato” e isso pode ser conseguido com “pouquíssimas pinceladas”, afirma o autor.

Descrição de personagem

Conhecemos o personagem pela maneira como ele fala e com quem ele fala. Pode se descrever um personagem pelo comportamento dele em uma situação particular e assim conseguir com que o leitor conheça o personagem, sem que para isso conheça o indivíduo em particular.

Autor mostra que público pode “acreditar demais, tendo idéias  preconcebidas e acabar se decepcionado com o personagem que frustra suas expectativas. Porém, “acreditar de menos” e chegar a negar o personagem é algo errado.

O autor demonstra sua preferência por personagens “ apenas esboçados” que nos causam intrigas e nos fazem mergulhar em suas “superficialidades profundas”.

Frase:

“Será que todos nós, de alguma maneira , somos personagens fictícios gerados pela vida e escrito por nós mesmos?”

 

 

 

Nós escrevemos muito sobre os protagonistas aqui no MW, e, claro, nós gastamos uma boa parte do tempo discutindo vilões também. E há boas razões para fazer os dois.  Um protagonista crível, convincente, pode carregar uma história.  Existem poucas coisas mais divertidas na literatura do que um vilão realmente assustador e mal.

Hoje, porém, eu gostaria de desviar a atenção das estrelas de nossos livros para os personagens secundários, as pessoas que passam mais tempo na história de fundo (background) de nossos livros do que no centro das atenções. Porque, enquanto os protagonistas e vilões podem conduzir a narrativa, muitas vezes os personagens secundários é quem são os mais memoráveis.    Read the rest of this entry »

Dias de cão. Está 33 graus.  É o meio do verão (pelo menos para aqueles de nós que vivem em distritos escolares que terminam o ano letivo em maio e o iniciam por volta de agosto).  Você preferiria estar fazendo qualquer outra coisa que não seja trabalho. A Copa do Mundo Feminina está na TV, seus filhos estão incomodando você leva-los ao parque aquático local (que soa extremamente convidativo), e há um meia-dúzia de latas de cerveja na geladeira, sem mencionar aquela garrafa de Marlborough da região de Sauvignon Blanc ali na porta do refrigerador. Escrever ou revisar um livro é provavelmente a última coisa que você irá querer fazer.

Isso soa familiar?  Read the rest of this entry »

O ABC do desenvolvimento de personagens

Posted: 11th October 2011 by Alex in Dicas
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Estou ensinando num curso de curta duração na escola das minhas filhas neste mês. Três sessões de cerca de 90 minutos cada, todas elas focadas em questões relacionadas com personagens (o desenvolvimento do personagem; ponto de vista e voz; diálogo e enredo).  Tivemos nosso primeiro encontro na noite da sexta-feira passada e houve uma discussão incrível.  E isso me fez perceber que já faz algum tempo desde que eu postei sobre questões relacionadas a personagens.  Read the rest of this entry »